Todo apoio aos presos políticos da USP (estudantes)
Geografia

Todo apoio aos presos políticos da USP (estudantes)


Estudantes da USP acusam policiais de abuso de autoridade na retomada da reitoria.











Estudantes da USP dizem não ter responsabilidades por depredação de prédio ocupado

São Paulo - Apesar da acusação formal de depredação do patrimônio público, os estudantes que ocuparam a reitoria da USP (Universidade de São Paulo) por seis dias afirmaram não ter destruído o prédio. A destruição, segundo eles, foi feita pelos próprios policiais, durante a reintegração de posse realizada na madrugada da última terça-feira (8).
“Diferentemente da ocupação de 2007, neste ano, nós montamos uma equipe de segurança para garantir a integridade física do local", conta Pedro dos Santos, 27, estudante de Geografia. A ocupação, de acordo com ele, foi restrita ao térreo do prédio. "Os demais ambientes do prédio ficaram fechados durante todo o tempo, juntamente com todos os documentos da reitoria."
Mesmo diante da preocupação com o local, os estudantes assumem a responsabilidade de terem quebrado um dos portões do prédio – por onde eles invadiram o local, bem como pelas câmeras de segurança do térreo. "Medida para mantermos a segurança daqueles que aderiram ao movimento", apontou uma das estudantes detidas, que preferiu não divulgar o nome.
Os alunos também relatam ser responsáveis pelas pichações. "Todas mensagens políticas que integram o objetivo do movimento", diz Bruno, 25, estudante de Letras – que preferiu não ter o seu sobrenome divulgado.
Os demais danos no prédio, segundo Santos, são de autoria da própria polícia. "Além de terem quebrado portas e janelas ao entrarem no local, os policiais quebraram tudo. Até mesmo no momento em que todos os estudantes estavam sentados de cabeça baixa, por ordem dos próprios policias, só se escutava barulho de estilhaços de coisas", conta o aluno de Geografia.
Os estudantes também negaram a existência dos coquetéis, que, segundo os policiais, foram encontrados durante a revista do local. "Certeza que esses possíveis coquetéis foram implantados, até porque não houve nenhuma decisão coletiva para uso desse ou de qualquer outro explosivo", enfatiza João Denardi Machado, 20, estudante de História, que confirma apenas a existência de fogos de artifício. "Uma medida que recorremos para a comunicação, caso houvesse a ação policial."
Edvaldo Faria, coordenador da Central de Flagrantes da 3ª Delegacia da Seccional Oeste, negou as acusações de que os estudantes estão sofrendo perseguição política.

Reintegração de posse

O prazo para os estudantes deixassem o reitoria venceu na noite de segunda (7), às 23h. Em assembleia realizada no mesmo dia, os estudantes optaram por permanecer no prédio. Havia cerca de 600 estudantes na reunião. Ainda assim, segundo Bruno, os alunos não estavam esperando a reintegração de posse. "Até porque tinha marcada uma negociação com a reitoria da universidade para a quarta-feira (9)", conta o estudante de Letras.
A reintegração de posse da reitoria da USP terminou por volta das 7h20 da manhã desta terça-feira. Segundo Maria Yamamoto, coronel da PM, "não houve resistência; eles foram pegos de surpresa". Até uma estudante com uma garrafa de vinagre foi detida. Os policiais militares pensaram que a garrafa nas mãos da mulher era uma bomba caseira. A identidade da mulher não foi divulgada.
Para Santos, tudo começou por volta das 5h, quando foi informado por uma de suas colegas que a polícia estava cercando o prédio. "Quando ouvi dizendo polícia, confesso não ter dado muita bola, ter virado de lado e voltado a dormir. Mas, quando ouvi a palavra patrulha de choque, levantei na mesma hora", conta. A partir daí, segundo ele, todos os estudantes que estavam dentro do local deram início a plano de fuga previsto anteriormente. "A ideia era sair pelo lado oposto de onde estávamos. E só quando conseguimos sair do prédio é que vimos a proporção da ação policial. Eram muitos policiais, e todos os lados estavam cercados."
Segundo Machado, os estudantes conseguiram até sair do prédio, mas foram abordados logo em seguida e levados de volta para dentro do local. "Onde a visibilidade dos cinegrafistas que acompanhavam o caso era menor", diz. Homens e mulheres foram separados para as revistas, conforme ele aponta. "Nessa revista ouvimos os gritos de uma das meninas, que disse ter sido agredida fisicamente e moralmente pelos policiais e amordaçada."
Dentre os feridos também está Michael de Castro, 25, aluno de Letras. Ele afirma que não estava dentro do prédio durante a reintegração de posse. Mas disse ter ido até lá apoiar os colegas, quando foi arrastado por um dos policiais para dentro da reitoria. "Um dos policiais me empurrou e o outro colocou o escudo na frente. Foi quando eu cortei os supercílios."
Ao todo, 72 pessoas – sendo 68 alunos e outros quatro funcionários da USP – foram encaminhados para o 91º DP, onde prestaram depoimentos e passaram pelo exame de corpo de delito. Segundo o chefe da 3ª Seccional, Dejair Ribeiro, todos eles optaram em falar apenas em juízo.
Com o pagamento da fiança no valor de R$ 39.240 (R$ 545 por manifestante), arrecado por filiados da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), todos foram liberados e responderão pelos crimes de desobediência e depredação de patrimônio público em liberdade.

Greve geral

Os estudantes da USP, em assembleia realizada na noite de ontem (8), decidiram decretar greve geral do corpo discente, em protesto contra a prisão de manifestantes durante a reintegração de posse na reitoria. Eles também pedem a saída da Polícia Militar do campus.
A assembleia começou por volta das 20h30, no prédio da faculdade de História. Cerca de 3.000 estudantes participaram da assembleia.

Debate sobre a PM

O debate sobre a presença da PM no campus voltou à pauta na quinta-feira (27), quando policiais abordaram três estudantes que estavam com maconha no estacionamento da faculdade de História e Geografia. A detenção gerou confusão e confronto entre estudantes e policiais – que culminou com a ocupação da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e, posteriormente, da reitoria. 
A presença dos policiais no campus – defendida pelo reitor, João Grandino Rodas, e pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) – passou a ser mais frequente e em maior número após a morte do estudante Felipe Ramos de Paiva, em maio deste ano. Em setembro, o reitor e o governador assinaram um convênio, autorizado pelo Conselho Gestor do Campus, para regulamentar a atividade da PM na USP.
Os contrários à PM no campus dizem que a medida abre precedente para a polícia impedir manifestações políticas — que comumente ocorrem dentro do campus – e citam o episódio de junho de 2009, quando a Força Tática da PM entrou na universidade para reprimir um protesto estudantil e acabou ferindo os estudantes e jogando bombas dentro de unidades.
Como alternativa à PM, o DCE defende que a segurança do campus não seja militarizada, isto é, que seja de responsabilidade da Guarda do Campus. A entidade defende que haja mais iluminação das vias do campus e que a USP mais seja aberta à comunidade externa, aumentando a circulação de pessoas.
Uma parcela dos alunos – sobretudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) e da Escola Politécnica – defende a presença da PM, argumentando que isso aumenta a segurança dos frequentadores do campus.
Fonte: http://www.d24am.com



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