IBGE lança Banco de Nomes Geográficos do Brasil
Geografia

IBGE lança Banco de Nomes Geográficos do Brasil


Campos dos Goytacazes se escreve com ?y?ou ?i?? E São João Del Rei? Quantas cidades com nomes de santos existem no Brasil? Qual a origem do nome Varre-Sai, município do Rio de Janeiro? E Cantagalo, no mesmo estado? Por que uma cidade teria como nome o pleonasmo Volta Redonda? Estas e outras explicações estão no Banco de Nomes Geográficos do Brasil (BNGB), que o IBGE lança, hoje, 23 de setembro de 2011, com acesso pelo link http://www.bngb.ibge.gov.br. Trata-se de uma base de dados pioneira no país, com informações sobre os mais de 50 mil nomes geográficos, tais como grafia padronizada, limites territoriais, coordenadas, e aspectos históricos, geográficos e cartográficos. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os nomes geográficos e padronizar as grafias para que, no futuro, estas se tornem oficiais. Por enquanto, os aspectos históricos das localidades só estão disponíveis no BNGB para municípios dos estados do Rio de Janeiro e do Paraná. Até o início de 2012, o banco receberá a carga dos nomes geográficos do mapeamento de parte dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Este banco é fruto do Projeto Nomes Geográficos do Brasil, implantado pela Coordenação de Cartografia (CCAR) da Diretoria de Geociências (DGC) do IBGE em fevereiro de 2005. Para ter acesso aos dados basta que o usuário digite o nome do local (ou parte dele) no campo apropriado.

De acordo com a padronização toponímica (designação dos lugares por seus nomes), Campos dos Goytacazes (RJ) se escreve com ?y?, ao passo que São João Del Rei (MG), com ?i?. Da mesma forma, a grafia correta da cidade de Armação de Búzios (RJ) é com ?o? no final e não ?u?, enquanto Ilhabela (SP) forma uma só palavra.
País de tradição católica desde seus primórdios, mais de 2.500 cidades brasileiras homenageiam santos em seus nomes. Destas, 236 fazem referência a Santo Antônio, como Santo Antônio das Missões (RS), Novo Santo Antônio (MT) e Barra de Santo Antônio (AL). Outras 220 homenageiam São João, como São João Nepomuceno (MG), São João do Araguaia (PA) e São João do Sul (SC). São Francisco batiza 127 cidades, como Amparo de São Francisco (SE), São Francisco do Conde (BA) e Barra de São Francisco (ES). Além destas, são 118 referências a Santa Maria. É o caso de Santa Maria do Oeste (PR), Santa Maria da Boa Vista (PE) e Santa Maria da Vitória (BA). Entre os nomes exóticos e curiosos estão Boa Morte (MG), Pendura Saia (GO), Saco do Boi (MA) e Vai-Quem-Quer (AM e PA), entre outros.

Varre-Sai: hospedagem em troca de limpeza
A história da cidade fluminense de Varre-Sai, por exemplo, remonta a meados do século XIX. Na atual sede do município existia um rancho que era ponto de parada dos viajantes de Minas Gerais. Na porta, havia um lembrete dizendo: Varre-Sai. Essa frase ordenava que todos que ali passassem deveriam limpar o local antes de continuar o caminho. Com a construção da atual Igreja Matriz São Sebastião, começou a nascer em seu entorno uma vila que viria a se tornar o município. Já no final do século XIX e início do XX, com o auge da economia cafeeira no Brasil, começaram a chegar os imigrantes, principalmente italianos, que se estabeleceram para trabalhar nas lavouras de café. Passado à condição de distrito, Varre-Sai ficou politicamente subordinado à sede, o município de Natividade. A emancipação veio em 1991.

Galo denuncia foragidos da Coroa Portuguesa
Também é curiosa a história do município de Cantagalo (RJ). Os primeiros habitantes de suas terras foram os índios coroados e goytacazes, desaparecidos da região por volta de 1855. A colonização teve início em meados do século XVIII, em função da corrida do ouro em Minas Gerais. O português Manoel Henriques, foragido do Estado Português e conhecido como Mão-de-Luva, acompanhado por seu bando habitou o lugar onde hoje está a Usina Cantagalo, dando origem a um núcleo que, em 1794, contava com cerca de duzentas moradias. A prisão dos integrantes do grupo foi a motivação do nome do lugar. As diligências feitas a mando da Coroa Portuguesa para localizar o grupo falharam. Depois de inúmeras batidas pelo mato, cansados e desanimados, os agentes se preparavam para voltar, quando ouviram um galo cantar. Ao seguir o som do canto, encontraram, dormindo à sombra de uma árvore um dos companheiros de Mão-de-Luva. Preso, mas diante da promessa de liberdade e dinheiro, ele denunciou seus companheiros, que foram presos sem oferecer resistência. Com isso, a partir de 1796 a localidade passou a denominar-se Cantagalo, em substituição ao antigo nome, Sertão do Macacu. O município foi criado em 1814, recebendo o nome de Vila de São Pedro de Cantagalo. Em 1857, foi elevado à categoria de cidade com o nome Cantagalo.

Curva de rio dá nome a Volta Redonda
O marco inicial do território de Volta Redonda (RJ) foi a demarcação da fazenda Santa Cruz, de propriedade dos jesuítas, em 1727, local onde hoje se situam a usina da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Vila Operária. A ligação, no ano seguinte, entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foi um fator preponderante para o desenvolvimento da região do Vale do Paraíba, onde se encontra a cidade. Em 1875, o povoado de Santo Antonio de Volta Redonda começa a ter grande impulso, com muitos estabelecimentos comerciais. A denominação foi dada em função do rio Paraíba do Sul, pois a cidade encontra-se construída em torno de uma curva do rio, quase um semicírculo, origem do pleonasmo que denominou a cidade. Em 1941 o lugar foi escolhido para a instalação da CSN, em plena Segunda Guerra Mundial, marcando o início de um novo ciclo econômico e também a industrialização no Brasil. Alcançou a autonomia político-administrativa em 1954, com o nome simplificado de Volta Redonda.

Nomes geográficos ajudam a identificar o território
O nome geográfico é um marco de referência e de identidade com o território. Pode ser definido como o nome próprio de um lugar ou de uma feição geográfica. Inclui, na maioria das vezes, um nome específico e uma designação genérica, acrescido de atributos que o caracterizam como um conjunto étnico, etimológico, histórico, referenciado geograficamente e inserido num contexto temporal.
O estudo dos nomes geográficos com seus atributos contribui para a qualidade das informações cartográficas. Além disso, são considerados um patrimônio, pois, através deles, pode-se identificar padrões de ocupação, identidade e diversidade linguística. A ausência de padronização gera, entre outras consequências, carência de subsídios para documentação e litígios em questões fundiárias e territoriais. A toponímia é uma componente fundamental na composição de bases geoespaciais, na estruturação da Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE) e, principalmente, para a qualidade do mapeamento de referência do país.

Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1983&id_pagina=1





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